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17 outubro 2006 

Carta aos ocupantes do Rivoli e cidadãos do Porto

Vários dos cidadãos que ocupam o Rivoli nunca poderiam ter ficado em casa! A urgência política chega a casa tarde e a más horas, quando todos dormem. Vários destes cidadãos têm mau sono e às suas insónias se devem muitos textos, filmes, debates, aulas, canções. Quem os conhece, reconhece-o e reconhece-os neste gesto descarado que é exactamente o que se espera de cidadãos responsáveis. Num país passivo e subalterno a todas as formas de poder (miúdas e graúdas), sem nenhuma tradição de protesto, é natural e miserável o espírito rasteiro que define a maior parte dos comentários dos que, beatos e temerosos, se espantam com manifestações que ultrapassem a boca-pequena-em-mesa-de-café. Como disse Brecht, não é uma desgraça, é uma vergonha!
Por estarmos em Paris, não estamos convosco aí, no Piso -1, a defender o espaço público que é um Teatro Municipal. Que o vosso gesto seja braço forte no trabalho da construção cívica e se multiplique por centenas de outros! Também nós amanhã, aqui, estaremos ao lado de outros artistas ocupantes num espaço chamado La Genéral, contra uma expulsão policial ordenada pela Câmara de Paris. Em vez de fazer as malas e sair pianinho, do programa constam manifestações à tarde, filmes à noite, jantar, dormida para todos e pequeno-almoço cedo, antes das boas-vindas à Polícia! Haverá ainda café e ninguém se calará.
Esperamos que a cidade compreenda o que está em discussão e se vos junte, para que o trabalho de uns não seja o descanso dos outros.

António Preto e João Sousa Cardoso

Tenho o maior respeito e admiração por quem luta pelas suas causas de uma forma empenhada e determinada.
Desprezo em absoluto os comodistas, os acomodados, os medrosos, os indiferentes e os deixa andar

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