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17 outubro 2006 

é cedo para ser tarde
é tarde para ser cedo

Imaginem-se fechados no quarto escuro e porventura meaçados de outras escuridões e obscurantismos. Caídos no caldo de cultura da luta, reencontramos o prazer infantil e enfadado de rilhar a bolacha, o frenesi do não ter horas de dormir e o Verão ser eterno (ainda que relativamente).
Queria, nesta noite de Outubro bem encetado, dizer-vos a beleza do estar aqui. Até os comentários pouco abonatórios me parecem convergir para uma verdade central, embora nalguns deles se sinta aquilo a que minhaavó chamava «ter mais medo que vergonha».
Mais do que tudo abomino os artistas fardados de artistas. Aqui dentro, sem fardas, enfardamos a comida do estarmos juntos, graças a um acaso tão objectivo quanto provocado. «Quem quer bolota atrepa» dizia a mesma anciã. Porque as árvores não se curvam, a menos que...
Amanhã tudo faremos para que um homem possa cantar em cima do palco do andar de cima. Auto-encarcerados nos sabemos sem culto da ofensa. Só mentes verdadeiramente perversas podem imaginar este jogo de pratos na balança da injustiça. Pela parte que nos toca e nos troca, só a ciência do quotidiano poderá devolver-nos conta de medida e medida de conta.
Obrigada a todos aqueles que nos guardam a porta parecida a um parlatório. Obrigada à irregularidade das vozes, ao estranho jogo da rua que nos esconde a morada do poder. Obrigada gente e gente, companheiros de estrada ou visões emolduradas por grades.
Agora: tentar dormir.

Boa sorte.

Pedro Teles

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