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17 outubro 2006 


Contra a privatização do espaço
Cerca de 40 manifestantes ocupam o teatro Rivoli
16.10.2006 - 08h19 Lusa


Cerca de 40 pessoas passaram a noite e continuam esta manhã no interior do
teatro Rivoli, no Porto, onde estão a realizar uma "ocupação simbólica". Os
manifestantes exigem falar com a Câmara do Porto contra a intenção da
autarquia de privatizar aquele espaço, até aqui gerido pela Cultuporto.

A manifestação iniciou-se depois da exibição da peça "Curto-Circuito", da
companhia Teatro Plástico, no pequeno auditório, entre espectadores e
artistas, num protesto convocado pela companhia.

A autora da Peça, Regina Guimarães, que também se juntou ao protesto,
explicou à Lusa que o objectivo, além de protestar contra a intenção da
Câmara liderada por Rui Rio (PSD), é também evitar que o cenário se repita
em outras zonas de Portugal.

"Se não fizermos isto, outras autarquias acabarão por fazer o mesmo com
equipamentos similares", disse.

Os manifestantes decidiram permanecer no edifício apesar da decisão da Câmara
de mandar encerrar as portas às 01h20.

A decisão da Câmara Municipal do Porto foi transmitida aos manifestantes por
Fernando Pinheiro, produtor da Culturporto, a associação que actualmente gere
aquele espaço cultural.

Antes de ter sido anunciada a decisão, o responsável pela segurança do Rivoli
tinha acusado os manifestantes de "estarem a gozar" com o trabalho dos
funcionários, aconselhando-os a prosseguir o protesto no exterior do
edifício, sem o que seria necessário "tomar medidas".

"Pois então que tomem", foi a resposta dos manifestantes, que se recusaram a
abandonar o local.

Entre os espectadores circulava um documento com críticas ao presidente da
câmara, por defender "uma ideia de um teatro regido por critérios de
rentabilidade", atitude que os autores do manifesto consideram "assaz curiosa
para quem esbanja dinheiros públicos em corridas de automóveis". O texto
refere-se à reedição, no ano passado, do Grande Prémio do Porto, no
Circuito da Boavista, um evento que não se realizava desde os anos 60.

O documento pede garantias de que "o teatro não seja gerido e programado em
função da maior ou menor rentabilidade", de que "os núcleos de produção da
cidade do Porto, em todos os domínios da criação, tenham acesso e lugar no
seu teatro municipal" e de que "a direcção do teatro pugnará pela formação
contínua do público.