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18 outubro 2006 

Esta luta é de todos!

Numa altura em, quase 4 dias passados dentro do Rivoli, os meios de comunicação e a população em geral tem mostrado o seu apoio ao Grupo de Ocupantes do Rivoli (GOR), estes empenham-se por conseguir dialogar com as autoridades politicas sobre as motivações que levaram a este acto. O blog esgotou-se, a opinião pública está em vias de se esgotar, a “guerra fria” declarada pelo Dr. Rui Rio está em vias de surtir efeito (sem forma de subsistência o GOR terá de abandonar a instalações do Teatro). Por outro lado, como tantas vezes em Portugal, a discussão cairá no vazio, assim que, cansados de apanhar chuva os apoiantes forem para casa, e cansados do piso -1 os ocupantes se entregarem às autoridades (as quais já têm indicações do tratamento legal a dar ao 25 elementos).
Esta é uma questão Pública e Social transversal a todo o país. A classe de trabalhadores ligados ao espectáculo (noutros países designada para efeitos legais de “intermitentes do espectáculo”) não está suficientemente empenhada em trazer esta situação à actualidade politica. Infelizmente, a situação dos trabalhadores do espectáculo não consta com frequência da agenda politica do pais. É um escândalo? Será normal numa altura em que temos vindo a “apertar o cinto”. No entanto, o pais não poderá desenvolver-se sem que garanta uma actividade cultural semelhante à dos seus “países modelo”. Esta é uma discussão que deveria interessar a TODOS os trabalhadores do espectáculo (bem-sucedidos ou não), a TODOS quantos usufruam ou queiram usufruir de uma oferta cultural plural, saudável e competitiva. Todos partilham das mesmas dificuldades, todos partilham da carência de uma politica cultural que lhes permita desenvolverem as suas actividades sem terem de recorrer a estratégias de sobrevivência.
A questão não se resume à privatização do Teatro Rivoli! A questão toda a classe de trabalhadores do espectáculo, e esses, deviam neste momento apontar as suas criticas, apoiar o GOR, exercer as suas formas de resistência (democraticamente previstas!), aproveitar a exposição pública deste caso para exporem publicamente o seu desagrado perante a ausência de condições no desenvolvimento dos seus empregos.
Fechar o Rivoli não é uma forma de “dar nas vistas” gratuita, é a forma que actores e públicos arranjaram de se expressar, a única possível. Todas as classes profissionais vêem previstas as suas formas de resistência os professores ontem e hoje o provaram, como têm vindo a provar neste ano conturbado para a educação, os trabalhadores das fábricas fecham portas quando ameaçados de estas serem mobilizadas, os transportes param e as cidades ficam um caos quando querem melhores condições de trabalho. Os trabalhadores do espectáculo não possuem ferramentas que lhes permitam alertar a sociedade para os problemas da classe. É de louvar que, desta vez, tenham conseguido chegar aos meios de comunicação.
Neste momento, o GOR quer dialogar com a Câmara Municipal do Porto, mas quer também ser ouvido pelo Ministério da Cultura, não apenas relativamente à questão da privatização do Rivoli mas para expressar toda a instabilidade que a classe está a viver, para exigir que a agenda do Ministério contemple a resolução dessa instabilidade.

Pede-se a todos quantos queiram ajudar que enviem e-mails ou telefonem para Câmara Municipal do Porto e principalmente para o Ministério da Cultura solicitando que o Grupo de Ocupantes do Rivoli seja ouvido, para os contactos em baixo mencionados:
Culturporto:

culturporto@culturporto.pt

Câmara Municipal do Porto:

gabinete.municipe@cm-porto.pt
smac.gm@cm-porto.pt
Tel.: 22 209 70 00 (extensão 3140)

Ministério da Cultura:

infocultura@min-cultura.pt

Leonor Losa